sábado, 22 de janeiro de 2011

ôôô Iaiáá... ¿una mujer poderosa?

Sempre quis devolver na mesma moeda essa idéia de Iara de indagar as pessoas sobre o que pensam, fazem, sentem... E a princípio, ela dificultou um pouco.

Geminiana como eu, amiga, e muitas vezes parceira, há quase dez anos, pensei em uma pergunta pra cada versão dessa criatura. A supersticiosa do zodíaco, musicista, historiadora, produtora, lanterninha de cinema, confidente... novamente percebi que sempre há algo novo pra descobrir, mesmo entrevistando alguém que lhe é confidente há tanto tempo.

Entre bruxarias e ficção científica, concordo e discordo quando diz que não tem muitas faces. Quero dizer, como poderia conciliar, sem duas ou mais personalidades, a acadêmica com a bruxa? A cigana com a pé-frio?

É que lá dentro, acredito, ainda está a garotinha Iaiá. Não porque a menina seja "uma em cada lugar", mas é que quando me lembro de Iara, sempre acho que aqueles olhos com uma nova proposta, uma nova idéia, um novo projeto (uma banda, um emprego, um projeto acadêmico, uma viagem, uma banda, uma música, uma banda, outra banda) tem um desejo pueril, no entanto, sincero, vital, de fazer mais, de ser mais.



Beto - Como geminiana, (Iara: já vale de... ah, você tá me entrevistando pro blog!) que tem no mínimo duas faces, quantas faces você acredita ter?
Iara - Rapaz, aconteceu uma co
isa muito louca comigo ontem. Então eu acho que devo ter várias faces que desconheço.

Beto - Você acha que tem pelo menos quantas faces no mínimo?
Iara - Pelo menos mais uma aí, desconhecida.

Beto - Só duas?
Iara - Pelo menos mais uma desconhecida aí.

Beto - Você tem uma desconhecida e mais quantas que você conhece?
Iara
- Eu acho que eu so
u eu sempre...

Beto
- Só tem uma face?

Iara - Quando eu era criança, era uma em cada lugar. Isso é verdade.

Beto - Bom, quando elaborei essa pergunta, eu ia pedir pra você dar características dessas faces diferentes.
Iara - Essa face nova que eu tenho deve ser meio...

Beto - Loira!
Iara
- Não! (risos) Deve ser meio... meio... cigana. Caliente. Assim mulherão, poderosa.


Beto - É?! (risos) Por quê?
Iara - E aquela que eu tenho hoje é aquela assim que se acha feia, que não acredita no potencial, que não se joga no que deveria se jogar...

Beto - Humm... entendi.
Iara - Entendeu? Eu tou falando isso por causa da minha experiência muito louca de ontem.

Beto - Qual foi a sua experiência muito louca de ontem? Fui obrigado a perguntar...
Iara - (risos) Eu fui pra uma celebração de solstício de verão. Que vai ser no dia 21, mas celebraram antes... de um grupo meu bruxinho, assim, Amigos do Universo.

Beto - E aí?
Iara - E aí teve uma hora lá que todos fechavam os olhos e davam as mãos. Cada um ia desejando mentalmente, na sua hora, três desejos muito fortes pro ano que vem. E cada vez que você fala “eu sou Beto e eu estou pronto”, todo mundo pensava em você e te emanava coisas boas. Todos da roda. Sacou?

Beto
- Interessante.

Iara - E aí essa mulher-mor, que é a bruxinha-mor de todas, ela, nesses momentos, tinha visões de cada pessoa. E depois ela falava as visões que teve. Ela disse que viu uma super mulher, assim espanhola linda, com aquela rosa enorme no cabelo, um xale preto e vermelho, muito poderosa, atrás de mim, mas apenas de passagem. Só que quando ela me viu, resolveu entrar em mim. E aí depois de contar isso a bruxa-mor falou: “Você não sabe quem você é nem um pouco”, “Você não tem noção de quem você é.”

Beto - Altas bruxarias.
Iara - (risos) É.

Beto
- Você me perguntou sobre o Obama e o Lula, agora eu te pergunto: você acredita que haverá diferencia substancial na presidê
ncia por estar nas mãos de uma mulher? E quais seriam?
Iara - Acredito sim. É que ela é uma mulher mais machona, né? Acho que pra você ser líder tem que ser um pouco... quer dizer, não acho. Porque vai generalizar. Não acho isso. Você pode ser líder e ser feminina também, mas tem que saber dosar, entendeu?

Beto
- Então a Dilma não é fe
minina... (risos gerais)
Iara - Ela é. Só que ela esconde isso mais que as outras pra ter uma coisa mais altiva. Porém eu não sei o que espero do ano que vem. Eu não acho que vai ser um governo ruim. Muita gente está desanimada. Mas não sei se vai ser um governo diferencial por ela ser mulher. Eu não tenho nenhum chute assim pra dar.

Beto
- Você é bem sucint
a, não vai me dar trabalho na hora de transcrever.
Iara - É a experiência. (risos)

Beto - Você tem satisfações efêmeras? Tipo aquela coisa cotidiana que te deixa mais feliz que o normal entre cinco a quinze minutos? Por exemplo, um cigarro, sabe? Uma coisa que te dá um prazer enorme, mesmo não sendo a coisa mais incrível da sua vida, mas é um forte prazer e é rápido. E não pode ser chocolate.

Iara - Por que não?
Beto
- Porque chocolate é meio óbvio...


Iara
- Poxa, mas chocolate é um dos meus maiores prazeres. Eu nem tenho tanto prazer em comer, mas sou chocólatra, é vicio mesmo. Como chocolate todo dia ou alguma coisa que tenha chocolate. D
eixe eu ver... (pausa) Quando eu usava freio de burro... (Beto: o que?!?!?!) aquele aparelho que prende aqui e sai assim...

Beto - Você tem alguma foto com isso? Você tem que mandar.
Iara - Não. Eu só usava pra dormir pô, não me traumatizei, não usei indo pra escola não. (risos gerais) Eu adorava a dorzinha dele. Ele empurrava meu dente pra trás.

Beto - Como será o nome desse negócio? Aparelho externo né?
Iara
- Eu falo freio de burro. Até o dentista falava freio de burro. Também quando eu como pão com manteiga e café com leite. Mergulhado. Eu faço isso todos os dias desde criança.


Beto - Por que a Clássico Blu acabou?
Iara - Pô, eu não vou falar disso que é muito bombástico... Primeiro o baterista da banda era meio desestimulado, né. Eu também gostava da banda, mas não ensaiava em casa. Acho que eu tinha que ter botado mais pra frente. Você também não estudava...

Beto - Estudava pra caralho!
Iara - Somente nessa época, né? Acho que quem era mais estimulado era apenas Carlinhos.

Beto
- Na verdade eu e Carlinhos. a gente se batia, estudava, gravava, fazia altas paradas velho.

Iara
- Também teve aquela m
úsica que a gente gravou pro festival e não passou... ou senão foi o meu pé frio para bandas. Acredito no pé frio até hoje, mas espero que no ano que vem tudo mude em minha vida.

Beto - Como é que tá aquela bandinha que fui ao ensaio naquele dia?
Iara - A gente só fez um show e pronto. Tá parada. Recesso.

Beto - Mas todo mundo tem recesso. Exceto Claudia Leite, Ivete etc. que vão fazer shows da virada.
Iara - É que vocês eram bons parceiros, pô. O mais difícil pra mim era achar parceiros musicais legais, que realmente quisessem fazer alguma coisa. Mas o baterista também era... (cara de muxoxo) né?

Beto
- Eu não sei se
ele tava na banda porque queria tocar, se porque ele era apaixonado por você. (risos) Sei que eu ficava sempre confuso quanto às intenções do rapaz.
Iara
- Então vamos at
ribuir a isso. Eu era pé frio.

Beto - “Vamos” não. Eu já dei a minha opinião sobre isso na minha entrevista. Tou perguntando a tua aqui na sua.

Iara
- Mas que falta de origi
nalidade, rapaz.
Beto - Não, não, é só um bate e volta do passado entre parceiros do site. (risos)

Beto
- Pra você, a plena felicidade amorosa é um processo ou uma lo
teria?
Iara - Os dois. Porque você tem que achar uma pessoa legal e tem que ter a paciência de permanecer pra ver no que vai dar. Porque tem gente que não permanece, né? Escolhemos pessoas que sendo legais ou não, nunca conseguem permanecer tempo suficiente pra saber se vai dar certo, ver realmente como é o cotidiano. Pô, eu acredito na felicidade amorosa sim, totalmente. É ótimo sentir aquela felicidade de você parar e pensar “porra, tá tudo tão harmônico.” Isso é tão feliz. Tudo funcionando e vibrando certo. Mas eu acho que a saudade também é fundamental... Finalmente, eu acho que é uma loteria e um processo.

Beto
- Mais loteria ou processo?

Iara - Mais processo que loteria.

Beto - E quem vem primeiro?
Iara - A loteria.

Beto - Agora um bate-volta. O filme brasileiro que você mais curte, a música de Chico que você acha tão boa quanto esse filme e uma produção sobre história tão boa quanto a música.
Iara - O Auto da Compadecida (Guel Arraes). Pedro Pedreiro (Chico Buarque). O Grande Massacre dos Gatos (Robert Darnton).

Beto
- Agora vamos confrontar. Se fosse O Auto da Compadecida VS Pedro Pedreiro, quem ganharia?

Iara
- O A
uto da Compadecida. (risos)

Beto - Pedro Pedreiro VS O Grande Massacre dos Gatos?
Iara - Pedro Pedreiro. (risos)

Beto - E O Grande Massacre dos Gatos VS O Auto da Compadecida?
Iara - O Auto da Compadecida. (risos) O Auto da Compadecida sempre ganha! (muitos risos) Mas que brincadeira sem noção, meu filho... (mais risos)

Beto
- Pô velho, o blog é cheio de coisa sem noção! (risos) As perguntas não podem ser coerentes, são sempre meio loucas.


Beto - Agora minha última pergunta. É uma pergunta que já fiz pra você. Na verdade, nem fui eu que fiz. Bradoque fez essa pergunta na entrevista dele. Mas achei pertinente repetir porque ela nunca foi pro site. Qual é o teu sonho impossível? (Lembra o conceito de sonho impossível, né? Não adianta dizer “dar um beijo no Bin Laden porque por mais improvável que seja, é possível. Ele tá vivo, você tá viva. Ambos tem boca... Tem que ser algo terminantemente impossível.) Curiosamente eu lembro a resposta que você deu no dia... quero ver se vai dizer a mesma coisa hoje.
Iara - É mesmo, muito legal isso. Foi com relação a minha mãe? Hummm... (pausa) já sei. Mas talvez no futuro isso seja possível. Entrar na cabeça das pessoas. Tipo, “Quero ser John Malkovich”.

Beto - Por quê?
Iara - Pra entender como as pessoas pensam. Porque somos uma ilhazinha, né? Gostaria de saber mais sobre os outros... Não acho que sejamos totalmente isolado mas... poder passear e escolher a cabeça que quiser entrar é interessante.

Beto
- Deus é mais. No dia que inventarem isso quero ficar bem longe de você. (risos) No dia você respondeu duas coisas: que queria poder voltar no tempo e olhar as coisas acontecerem na História.

Iara - Esse é um desejo de quando eu era criança. Quando comecei a me interessar por História eu me imaginava numa nuvenzinha olhando as coisas acontecerem lá embaixo e ia escrevendo tudo cá de cima, entendeu?

Beto
- Nuvem voado
ra!!!

Iara - E a outra?
Beto - A outra é que sua mãe estivesse no parto do teu primeiro filho.

Iara - Sabia que tinha alguma coisa a ver com minha mãe.

Beto - Agora a última.
Iara - Mas essa não foi a última pergunta?

Beto - Sim. Já que a gente sempre encerra as entrevistas fazendo uma pergunta à próxima pessoa, isso não tem sentido, porque você FAZ perguntas para as pessoas no blog. Então você vai deixar uma resposta para a próxima pessoa a ser entrevistada. Qual será sua resposta?
Iara - Hakuna Matata.

6 comentários:

Tomaz disse...

Iara, meu amor,
qual a razão de se comemorar o solistício de verão *antes* do solisticio de verão? isso não mata, tipo, *TUDO* que o solisticio de verão prega?

Beto Góis disse...

também pensei nisso, mas acho que adiantaram por causa da viagem dela...

foi isso iaiá?

Iara Canuto disse...

Risos! Não gente, nem sei porque fizeram isso, mas se desapeguem! Beijos ;)

Girl Anachronism disse...

Então, é AMEH - Amigos do Espírito Humano -, e não "Amigos do Universo", apesar de as coisas estarem de algum modo relacionadas. E como assim não tem a data de quando a entrevista foi realizada? Fez falta, ficou parecendo que Iaiá espera que em 2012 as coisas sejam melhores... >.<'
Ah - muito boa a entrevista.
ah[2] - já pensarem em reentrevistar alguém?

Girl Anachronism disse...

E mais duas coisas - cadê os donos deste blog que não respondem aos comentários? ?P
E a outra - já pensaram em abrir espaço para que as pessoas façam perguntas para pessoas específicas? Tipo - se você pudesse entrevistar alguém que já passou pelo blog, quem seria, e o que perguntaria?

(pronto, aquietei-me)

Iara Canuto disse...

Valeu Jú pelos comentários e dicas, levaremos tudo em consideração para as próximas vezes. :)
Beijocas